Evoramons
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Arthur Schnitzler
Casanova regressa a Venezza
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Evoramons
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Os Poemas de Álvaro Feijó
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Género literário
Novela

Tradução do alemão
Nuno Bon de Sousa
Ilustração da capa
Txema Muñoz

Edição
Outubro de 2007
Número de páginas
VIII + 120
ISBN
978-972-99486-4-0

Preço
11 €
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Evoramons

Arthur Schnitzler nasceu em 1862, no seio de uma família da burguesia judaica vienense. Apesar de ter revelado cedo o seu interesse pela actividade literária, seu pai, médico famoso, destina-o à mesma actividade. Licenciado em 1885, trabalha como assistente numa clínica e escreve, por influência da sua estreita amizade com Sigmund Freud, uma tese sobre o tratamento hipnótico das neuroses. Por esta altura é, com Hofmannsthal, um dos principais animadores do grupo de artistas conhecido como Jungen Wien. Em 1894, abandona, quase por completo, a actividade médica.

No início do séc. XX, é um dos mais aclamados autores dramáticos de língua alemã, e a sua fama é acompanhada de escândalos, como o causado pela novela Leutnant Gunstl , a qual, considerada ofensiva para a instituição militar, lhe fará perder o posto de oficial médico na reserva, ou a peça Reigen , que o levará aos tribunais, por acusação de obscenidade. Após a primeira guerra mundial, a que se opusera como poucos intelectuais, o interesse pela sua obra diminui, para isso contribuindo o crescente ambiente anti-semita da época, que denunciará com o maior vigor. Leva uma existência cada vez mais solitária, e dedicada, acima de tudo, à escrita de obras de ficção, na casa que adquirira, em 1914, nos arredores de Viena. Morre em 1931, não assistindo, assim, à vitória do nacional-socialismo, que em 1933, incluirá as suas obras entre as que serão deitadas às chamas nas queimas públicas de livros, especialmente de autores judeus, então organizadas.

Libertino, erudito, militar, diplomata, tradutor de Homero, cabalista, matemático, espião, administrador de lotaria, empresário, secretário de nobres, Giacomo Casanova é uma das mais ricas personalidades da sociedade e da cultura europeia do séc. XVIII. As suas Memórias revelam-nos uma personagem que parece de ficção, e que, por sua vez, servirá as ficções de numerosos escritores. É assim que Arthur Schnitzler (1862-1931), na presente novela, publicada em 1918, leva o famoso aventureiro, já no declínio da sua idade, até à cidade de Mântua, onde aguarda, entre a impaciência e a comiseração, autorização para o ansiado regresso à cidade natal de Veneza, ali tão próxima.

A imaginação psicológica de Schnitzler traça-nos um dos mais profundos retratos de Casanova. O desespero da felicidade inalcançável e o medo da velhice e da morte emergem sem apelo, por debaixo da máscara de sofisticada afectação do grande sedutor. Mas a sua fragilidade é a de todo o ser humano quando chega a essa encruzilhada do caminho. Assim, este Casanova é muito mais que Casanova: Schnitzler eleva-o a metáfora da condição humana.