Evoramons
evoramons
Olavo Bilac
Sagres / O Caçador de Esmeraldas
|   A editora .   |   As obras .   |   Contacto .
Evoramons
.
.
Sagres
.
Género literário
Poesia

Ilustração da capa
Txema Muñoz

Edição
Junho de 2006
Número de páginas
XXVI + 38
ISBN
972-99486-3-1

Preço
9,90 €
.
Evoramons

Só, na trágica noite e no sítio medonho,
Inquieto como o mar sentindo o coração,
Mais largo do que o mar sentindo o próprio sonho,
– Só, aferrando os pés sobre o penhasco a pique,
Sorvendo a ventania e espiando a escuridão,
Queda como um fantasma, o Infante D. Henrique…

Assim traçava o grande poeta brasileiro Olavo Bilac, em 1898, centenário da viagem de Vasco da Gama, o retrato do Infante, tal como ficaria assinalado na nossa memória e como seria reflectido numa iconologia abundante. O poema Sagres, a que pertence a estrofe, é não só um dos cumes do parnasianismo de língua portuguesa, como um elo essencial, e até hoje insuficientemente considerado, do percurso poético e histórico que encontrará expressão maior na Mensagem, de Fernando Pessoa.

A Sagres associamos neste volume, como se impõe, O Caçador de Esmeraldas; no verde dos oceanos, ou no verde das selvas, bem sabia o poeta, uma epopeia continua a outra. Depois dos navegadores, os bandeirantes:

Cada passada tua era um caminho aberto!
Cada pouso mudado, uma nova conquista!
E enquanto ias, sonhando o teu sonho egoísta,
Teu pé, como o de um deus, fecundava o deserto!

Duas obras repletas de antigas presenças, que merecem ser redescobertas em ambas as margens do Atlântico. A essa causa se dedica este volume.

Olavo Bilac nasceu em 1865 no Rio de Janeiro. Estudou Medicina e depois Direito, sem chegar a concluir qualquer dos cursos. Estreia-se nas letras em 1888, com o livro Poesias e estabelece-se como jornalista no Rio, publicando igualmente volumes de crónicas e de contos. Empenhado na causa republicana, que triunfaria no Brasil em 1889, é dois anos depois nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio.

Em 1893, perseguido pela sua oposição ao presidente Floriano Peixoto, refugia-se em Minas Gerais. O importante poema Sagres, é publicado em 1898, ano em que é nomeado Inspector Escolar do Distrito Federal, função que desempenharia até à aposentação.

Em 1902, com o aplauso dos dois confrades parnasianos Alberto Oliveira e Raimundo Correia, publica a segunda edição de Poesias, enriquecida, entre outros, com o poema O Caçador de Esmeraldas; nesse mesmo ano fará parte de uma missão diplomática a Buenos Aires e, ainda nessa década, participará como secretário ou delegado nas 3ª e 4ª Conferências Pan-Americanas.

Em 1907 será um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, e no mesmo ano é recebido na Academia das Ciências de Lisboa. A sua notoriedade como poeta vê-se consagrada num concurso, em 1913, que o aclama “príncipe dos poetas brasileiros”.

Já no fim da vida, de 1915 a 1917, envolve-se em campanha, vitoriosa, a favor do serviço militar obrigatório, que via também como poderoso meio de alfabetização. Morre em 1918 no Rio de Janeiro, no auge da sua fama de poeta, jornalista, conferencista e homem público.

A sua última colectânea de versos, Tarde, será publicada, postumamente, no ano de 1919.